GRAND PRIX FORMOSA 2007
Inspirado no Grand Prix de Bauru, o sábado foi concebido para ser o dia de descanso dentre os 2 campeonatos. Mas ... como o tempo estava ótimo o muitos pilotos estavam com vontade de voar, Fabiano resolveu agitar uma prova no estilo Grand Prix. Essa é uma prova tipo “regata” onde os planadores largam todos juntos, percorrem um triângulo fechado, e vence o participante que chegar primeiro. Apenas planadores de performance similar participaram, assim não houve necessidade de corrigir as velocidades pelo complexo sistema de handicap.
Foi praticamente uma “copa Jantar” com 6 participantes com este modelo de planador, além do Pik20, ASW19, Discus e SZD55. Houve certa discussão se deveria haver alguma correção para estes planadores, mas decidiu-se a fazer a prova no estilo puro. Mesmo porque o dia mostrava que teríamos térmicas fortes e bem marcadas com nuvens, condições parecidas com o dia anterior onde o máximo de handicap foi de 5% do Discus vs. o Jantar, que é o planador de referência “base”.
Definida uma prova de 210km, percurso em forma de triângulo, começamos a preparar os nossos computadores de vôo. Algumas regras simples foram estabelecidas que provariam ser fatais para grande parte dos competidores.
- largada a uma altura máxima de 1000m acima do solo,
- velocidade máxima (VS) de 150km/h no cruzamento da linha de largada
- raio de 500m nos pontos de virada
A largada foi definida as 13:30 , minutos antes da largada os pilotos foram se posicionando próximo a linha de largada. Mas não estava muito fácil, eu estava a bordo do possante SZD55, gentilmente cedido pelo Norberto, e não conseguia subir para a altura da largada. Enquanto isso o stress ia crescendo na medida que Fabiano anunciava na freqüência, faltam 5 minutos, e o planador com os 150 litros de água nas asas, pesado, não subia de jeito nenhum. Quando faltavam exatos 2 minutos consegui pegar uma térmica forte de 4m/s, rápidamente cheguei a 1300m, quando faltavam menos de 30 segundos para a largada. Estava alto demais, apontei para a linha de largada e abri o spoiler totalmente para perder altura e reduzir a velocidade, pois com o planador pesado, ele iria embalar rápidamente, com 500kg de peso total com apenas 15m de asa, a carga alar era de 52kg/m2. Acabei largando 50 segundos atrasado, bem mais lento que a velocidade máxima permitida e 200m mais baixo, não deu tempo de planejar a saída, foi meio no sufoco mesmo, próxima vez precisamos de mais tempo para organizar a saída...
Praticamente todos os planadores saíram no minuto do horário oficial. Como 1000m era uma altura baixa para as condições meteorológicas do dia, todos trataram de achar uma térmica para subir logo. Aí as diferenças de tática começaram a ficar aparentes, alguns foram para a direita e outras levemente a esquerda. O “NO” (Novembe Oscar, planador que eu estava voando), não subiu tão bem, comecei a avistar planadores mais altos que eu, quase todos !!! Fiquei bravo quando avistei a maioria dos planadores acima de mim 200-300m. Todos continuaram para o SE, em direção a borda do campo do Exército e os grandes arados ao lado. Estava ficando baixo, o altímetro lia 900m, 800m comecei a pensar “caramba vou pousar fora com um planador emprestado que nunca voei na vida..., pelo menos embaixo existem excelentes campos que servirão para o meu pouso prematuro.
Avistei planadores girando novamente, a essa altura eu estava 500m mais baixo que os competidores mais avançados, e a 700m entrei numa térmica junto com o LU pilotado pelo Nilor, Presidente do Aeroclube do Planalto Central. Espumando dentro do pequeno cockpit do SZD55, pensei comigo mesmo, preciso mudar minha tática de alguma forma, mas por hora preciso sair do chão. Havia uma grande fogueira dentro do campo do exército, mas nenhum dos 12 planadores foi para lá, e eu pensei porque ninguém foi ? Será que há apenas fumaça por lá, sem fortes ascendentes. Pensei, bom como não tenho nada a perder, já estou entre os últimos 3-4 planadores, só uma tática diferente dará alguma chance de uma colocação um pouco melhor. A 1200m percorri os 5km até a fogueira, não deu outra o variômetro Borgelt começou a apitar loucamente. Subi os 550m em 1:50 minutos com média de 5.3m/s, até o limite de altura de 1800m acima do solo, se não houvesse a limitação de altura seguramente teria ido a mais de 2100m. Valeu a pena ter feito o desvio de 5km, deveria ter ido antes para ela, mas fogueiras são apostas arriscadas, já que algumas vezes não funcionam.
Quando saí da térmica, estava 11km para trás do M2 o líder da prova, e a 6km do “bandão” de 6 planadores, mas era o mais alto de todos a quase 1800m, o M2 estava a 1200m de altura. Comecei a sorrir novamente, quem sabe consigo salvar a prova do desastre total ! Aos poucos fui chegando no “bandão” e foi a maior bagunça. O Lorenzini com o Discus estava sempre mais alto, mas no momento que achava alguma térmica todos iam atrás, outros como o M2 aventuravam-se para frente e acabavam pagando caro por isso. Foi o típico vôo de bandão.
Já na virada do último ponto, vi que estava um pouco mais alto que os planadores a minha volta, em especial o JO (Batata) , voamos juntos vários trechos a 200km/h. Faltava pouco para a chegada, apenas uns 60km, aí cometi o grande erro estratégico, em vez de ir junto com o JO , vi 2-3 planadores girando uma térmica a direita (fora da rota), resolvi ir para lá, não valeu a pena, a térmica estava fraquinha (como o Cláudio do BY me confirmou depois), aproei novamente o planador para Formosa. Mais na frente peguei uma térmica me deu altura suficiente para entrar no cone, ou seja não precisar girar mais térmica alguma para chegar.
Como o ar ainda sustentava bem, ganhei mais altura de reserva para o planeio final. Voava a 180km/h, e a minha frente via um planador “delfinando”, ou seja puxando forte no ar que sobe, para em seguida afundar novamente, e eu pensei, vou passar ele aos poucos, já que não preciso mais de altura. O planador era o “Presidencial” com o Lorenzini a bordo ! Mas pensei, não será uma tática de piloto de caça militar ? Já que o Lorenzini no passado pilotava Mirage, resolvi chegar perto dele e passar, no mais puro espírito de Grand Prix. Os planadores muito parecidos, consegui ultrapassar aos poucos o Coronel. No rádio ele falou para mim, “Thomas e o corredor”, com o planador trepidando pela alta velocidade, mais de 200km/h, eu respondi “que corredor” ??? Eu apontei pra pista fui embora já a 220km, como o ar estava um pouco turbulento tive que reduzir um pouco a velocidade para não extrapolar os limites do mesmo.
Vi a minha esquerda o Batata com o Jantar Std3 voando mais rápido !!! Eu estava acima de 200km, depois o datalogger mostrou que ele estava voando 280/290km/h !!!!! E os pilotos começaram a reportar 5 minutos fora, eu não tinha a menor idéia, sabia que estava rápido e que faltavam 10km, indicados pelo GPS. Sentia que o Lorenzini estava próximo por isso deixei o planador bem acelerado. O Batata cruzou a linha de chegada 5 segundos na minha frente, e o Lorenzini apenas 2 segundos atrás !!!!
Impressões: A prova foi muito divertida ! A técnica de vôo é um pouco diferente até por tratar-se de uma prova muito curta. A tática deste tipo de competição é certamente diferente do vôo de competição tradicional. Os ânimos estavam bem acirrados após o pouso, com todos os pilotos conversando entre si animadamente, acho que foi um sucesso total (aliado a excelente meteorologia). A pequena diferença de performance dos planadores Jantar/Discus/SZD não foi muito sentida porque a prova foi feita em tempo fortíssimo, média de velocidade de 130km/h de alguns competidores !!! Com esta meteorologia, os planadores são bem parecidos. Uma decisão errada de caminho ou uma térmica mais fraca fez muito mais diferença. Quando projetamos no telão, usando o Seeyou Multipe Flights, o pessoal vibrou MUITO especialmente com os relatos dos pilotos que comentavam o vôo ainda com a emoção do momento. Tipo o “M2 (Julio)” estava bem atirado, já o Lorenzini gritou no meio , olha !!! Ninguém me pega mais, e o Thomas (eu), falando da fogueira que salvou o vôo. O público vibrou, passamos 2x o mesmo vídeo. Agradecimento ao Fabiano que fez acontecer o GP, e ao Norberto Ribeiro que cedeu o SZD55 “NO” para mim.
Como houveram várias penalizações os resultados mudaram um pouco:
Resultado final:
1 Thomas
2 Lorenzini
3 Batata
4 Schmidt
5 Júlio
6 Wladimir
7 Nilôr
8 Rebelo
Foi praticamente uma “copa Jantar” com 6 participantes com este modelo de planador, além do Pik20, ASW19, Discus e SZD55. Houve certa discussão se deveria haver alguma correção para estes planadores, mas decidiu-se a fazer a prova no estilo puro. Mesmo porque o dia mostrava que teríamos térmicas fortes e bem marcadas com nuvens, condições parecidas com o dia anterior onde o máximo de handicap foi de 5% do Discus vs. o Jantar, que é o planador de referência “base”.
Definida uma prova de 210km, percurso em forma de triângulo, começamos a preparar os nossos computadores de vôo. Algumas regras simples foram estabelecidas que provariam ser fatais para grande parte dos competidores.
- largada a uma altura máxima de 1000m acima do solo,
- velocidade máxima (VS) de 150km/h no cruzamento da linha de largada
- raio de 500m nos pontos de virada
A largada foi definida as 13:30 , minutos antes da largada os pilotos foram se posicionando próximo a linha de largada. Mas não estava muito fácil, eu estava a bordo do possante SZD55, gentilmente cedido pelo Norberto, e não conseguia subir para a altura da largada. Enquanto isso o stress ia crescendo na medida que Fabiano anunciava na freqüência, faltam 5 minutos, e o planador com os 150 litros de água nas asas, pesado, não subia de jeito nenhum. Quando faltavam exatos 2 minutos consegui pegar uma térmica forte de 4m/s, rápidamente cheguei a 1300m, quando faltavam menos de 30 segundos para a largada. Estava alto demais, apontei para a linha de largada e abri o spoiler totalmente para perder altura e reduzir a velocidade, pois com o planador pesado, ele iria embalar rápidamente, com 500kg de peso total com apenas 15m de asa, a carga alar era de 52kg/m2. Acabei largando 50 segundos atrasado, bem mais lento que a velocidade máxima permitida e 200m mais baixo, não deu tempo de planejar a saída, foi meio no sufoco mesmo, próxima vez precisamos de mais tempo para organizar a saída...
Praticamente todos os planadores saíram no minuto do horário oficial. Como 1000m era uma altura baixa para as condições meteorológicas do dia, todos trataram de achar uma térmica para subir logo. Aí as diferenças de tática começaram a ficar aparentes, alguns foram para a direita e outras levemente a esquerda. O “NO” (Novembe Oscar, planador que eu estava voando), não subiu tão bem, comecei a avistar planadores mais altos que eu, quase todos !!! Fiquei bravo quando avistei a maioria dos planadores acima de mim 200-300m. Todos continuaram para o SE, em direção a borda do campo do Exército e os grandes arados ao lado. Estava ficando baixo, o altímetro lia 900m, 800m comecei a pensar “caramba vou pousar fora com um planador emprestado que nunca voei na vida..., pelo menos embaixo existem excelentes campos que servirão para o meu pouso prematuro.
Avistei planadores girando novamente, a essa altura eu estava 500m mais baixo que os competidores mais avançados, e a 700m entrei numa térmica junto com o LU pilotado pelo Nilor, Presidente do Aeroclube do Planalto Central. Espumando dentro do pequeno cockpit do SZD55, pensei comigo mesmo, preciso mudar minha tática de alguma forma, mas por hora preciso sair do chão. Havia uma grande fogueira dentro do campo do exército, mas nenhum dos 12 planadores foi para lá, e eu pensei porque ninguém foi ? Será que há apenas fumaça por lá, sem fortes ascendentes. Pensei, bom como não tenho nada a perder, já estou entre os últimos 3-4 planadores, só uma tática diferente dará alguma chance de uma colocação um pouco melhor. A 1200m percorri os 5km até a fogueira, não deu outra o variômetro Borgelt começou a apitar loucamente. Subi os 550m em 1:50 minutos com média de 5.3m/s, até o limite de altura de 1800m acima do solo, se não houvesse a limitação de altura seguramente teria ido a mais de 2100m. Valeu a pena ter feito o desvio de 5km, deveria ter ido antes para ela, mas fogueiras são apostas arriscadas, já que algumas vezes não funcionam.
Quando saí da térmica, estava 11km para trás do M2 o líder da prova, e a 6km do “bandão” de 6 planadores, mas era o mais alto de todos a quase 1800m, o M2 estava a 1200m de altura. Comecei a sorrir novamente, quem sabe consigo salvar a prova do desastre total ! Aos poucos fui chegando no “bandão” e foi a maior bagunça. O Lorenzini com o Discus estava sempre mais alto, mas no momento que achava alguma térmica todos iam atrás, outros como o M2 aventuravam-se para frente e acabavam pagando caro por isso. Foi o típico vôo de bandão.
Já na virada do último ponto, vi que estava um pouco mais alto que os planadores a minha volta, em especial o JO (Batata) , voamos juntos vários trechos a 200km/h. Faltava pouco para a chegada, apenas uns 60km, aí cometi o grande erro estratégico, em vez de ir junto com o JO , vi 2-3 planadores girando uma térmica a direita (fora da rota), resolvi ir para lá, não valeu a pena, a térmica estava fraquinha (como o Cláudio do BY me confirmou depois), aproei novamente o planador para Formosa. Mais na frente peguei uma térmica me deu altura suficiente para entrar no cone, ou seja não precisar girar mais térmica alguma para chegar.
Como o ar ainda sustentava bem, ganhei mais altura de reserva para o planeio final. Voava a 180km/h, e a minha frente via um planador “delfinando”, ou seja puxando forte no ar que sobe, para em seguida afundar novamente, e eu pensei, vou passar ele aos poucos, já que não preciso mais de altura. O planador era o “Presidencial” com o Lorenzini a bordo ! Mas pensei, não será uma tática de piloto de caça militar ? Já que o Lorenzini no passado pilotava Mirage, resolvi chegar perto dele e passar, no mais puro espírito de Grand Prix. Os planadores muito parecidos, consegui ultrapassar aos poucos o Coronel. No rádio ele falou para mim, “Thomas e o corredor”, com o planador trepidando pela alta velocidade, mais de 200km/h, eu respondi “que corredor” ??? Eu apontei pra pista fui embora já a 220km, como o ar estava um pouco turbulento tive que reduzir um pouco a velocidade para não extrapolar os limites do mesmo.
Vi a minha esquerda o Batata com o Jantar Std3 voando mais rápido !!! Eu estava acima de 200km, depois o datalogger mostrou que ele estava voando 280/290km/h !!!!! E os pilotos começaram a reportar 5 minutos fora, eu não tinha a menor idéia, sabia que estava rápido e que faltavam 10km, indicados pelo GPS. Sentia que o Lorenzini estava próximo por isso deixei o planador bem acelerado. O Batata cruzou a linha de chegada 5 segundos na minha frente, e o Lorenzini apenas 2 segundos atrás !!!!
Impressões: A prova foi muito divertida ! A técnica de vôo é um pouco diferente até por tratar-se de uma prova muito curta. A tática deste tipo de competição é certamente diferente do vôo de competição tradicional. Os ânimos estavam bem acirrados após o pouso, com todos os pilotos conversando entre si animadamente, acho que foi um sucesso total (aliado a excelente meteorologia). A pequena diferença de performance dos planadores Jantar/Discus/SZD não foi muito sentida porque a prova foi feita em tempo fortíssimo, média de velocidade de 130km/h de alguns competidores !!! Com esta meteorologia, os planadores são bem parecidos. Uma decisão errada de caminho ou uma térmica mais fraca fez muito mais diferença. Quando projetamos no telão, usando o Seeyou Multipe Flights, o pessoal vibrou MUITO especialmente com os relatos dos pilotos que comentavam o vôo ainda com a emoção do momento. Tipo o “M2 (Julio)” estava bem atirado, já o Lorenzini gritou no meio , olha !!! Ninguém me pega mais, e o Thomas (eu), falando da fogueira que salvou o vôo. O público vibrou, passamos 2x o mesmo vídeo. Agradecimento ao Fabiano que fez acontecer o GP, e ao Norberto Ribeiro que cedeu o SZD55 “NO” para mim.
Como houveram várias penalizações os resultados mudaram um pouco:
Resultado final:
1 Thomas
2 Lorenzini
3 Batata
4 Schmidt
5 Júlio
6 Wladimir
7 Nilôr
8 Rebelo
1 Comentários:
Até que enfim alguma noticia..
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